Estratégias colaborativas

Segundo os dados do INE, 20% dos alojamentos do Bonfim estão vagos. A existência de casas devolutas torna-se um grave problema para as comunidades, pois não usufruem de uma cidade mais viva, mas também para os proprietários, uma vez que não conseguem obter um rendimento de um património, que à medida que fica mais degradado encarece a sua recuperação. Se você é proprietário, não tem fundos para recuperar a sua propriedade, e não pode ou não quer pedir um empréstimo, as estratégias colaborativas podem ajudar-lhe a ultrapassar esta situação. As estratégias colaborativas têm um funcionamento muito simples:

O proprietário cede a propriedade, de uma maneira gratuita ou recebendo uma renda baixa, e os ocupantes (coletivos, instituições, associações…) comprometem-se na troca, a fazer obras na casa. Isto traz benefícios para ambas as partes. Por um lado, o proprietário evita os efeitos negativos do espaço estar desabitado (ser vandalizado, ficar deteriorado por causa de problemas não advertidos por alguém, ou simplesmente por falta de manutenção) e vê como a sua propriedade fica revalorizada, sem investir nada. Por outro lado, os inquilinos dispõem de um espaço a baixo custo e da oportunidade de o dividir com mais pessoas. A freguesia também beneficia do dinamismo que estes inquilinos introduzem através da sua atividade.

Existem exemplos deste tipo de estratégias. Por exemplo, na Catalunha (Espanha) a “masoveria” é uma forma de ocupação que se encontra regulamentada como qualquer outro arrendamento tradicional. Cá no Porto, temos o exemplo da Casa Bô, um edifício situado na Rua do Bonfim, onde a renda baixa permite compatibilizar a sua progressiva valorização com uma ocupação em lógica social. No Habitar temos já a nossa própria experiência, graças à primeira estratégia colaborativa, que num andar de um prédio na Avenida Rodrigues de Freitas, reuniu duas associações de interesse social: a Critical Concrete (vocacionada à intervenção arquitetónica sobre o espaço urbano) e a Espaços (vocacionada às questões de igualdade de género e direitos humanos).

A cedência do espaço e os trabalhos nele realizados, estão a dar os primeiros resultados. Desde Novembro, já foram realizadas as demolições, a remoção do entulho e a limpeza do espaço, o que tornou o prédio habitável para os inquilinos e poupou 300€ ao proprietário (pois era o valor que se tinha orçamentado a realização destas tarefas). Os passos seguintes foram a instalação da eletricidade, a substituição dos vidros partidos e a instalação de um teto falso. À medida que as demolições continuem a avançar, o espaço poderá albergar novos inquilinos que contribuirão para diminuir os custos da intervenção e acelerarão as tarefas de recuperação do imóvel.

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